A compreensão da cor remonta à Antiguidade. Aristóteles, em seu tratado "De Sensu et Sensibilibus" (cerca de 350 a.C.), propôs que todas as cores derivavam da mistura de branco e preto — uma teoria que dominou por quase dois milênios. Os egípcios já dominavam seis pigmentos fundamentais, incluindo o azul egípcio, primeiro pigmento sintético da história, criado por volta de 3100 a.C. a partir de silicato de cobre e cálcio. Foi Isaac Newton quem revolucionou essa compreensão em 1666, decompondo a luz branca através de um prisma de vidro em seu quarto no Trinity College de Cambridge. Ele identificou sete cores — vermelho, laranja, amarelo, verde, azul, índigo, violeta — uma escolha deliberada para criar um paralelo com as sete notas da escala musical. Seus resultados, publicados em "Opticks" em 1704, estabeleceram que a cor é uma propriedade intrínseca da luz, não dos objetos.
A teoria das cores floresceu nos séculos XVIII e XIX. Johann Wolfgang von Goethe, em sua "Teoria das Cores" ("Zur Farbenlehre") publicada em 1810, opôs-se a Newton privilegiando a experiência subjetiva da cor. Embora sua física estivesse equivocada, suas observações sobre contrastes simultâneos e cores complementares influenciaram profundamente as artes visuais. Michel-Eugène Chevreul, químico francês e diretor de tinturaria da Manufatura dos Gobelins, publicou em 1839 "Da lei do contraste simultâneo das cores", uma obra que demonstrou como cores adjacentes modificam mutuamente sua percepção. Seus trabalhos impactaram diretamente os impressionistas — Monet, Pissarro — e especialmente o pontilhismo de Georges Seurat, cujo "Uma Tarde de Domingo na Ilha de la Grande Jatte" (1886) aplica literalmente os princípios de Chevreul.
A compreensão moderna da cor baseia-se na teoria tricromática de Thomas Young (1802), aperfeiçoada por Hermann von Helmholtz na década de 1850. Eles demonstraram que o olho humano percebe as cores graças a três tipos de cones retinianos sensíveis respectivamente ao vermelho, verde e azul. James Clerk Maxwell provou essa teoria em 1861 ao realizar a primeira fotografia colorida da história: uma fita de tartã escocesa, fotografada através de três filtros vermelho, verde e azul, e depois sobreposta por projeção. O modelo RGB (Red, Green, Blue) da síntese aditiva, usado por todas as telas modernas, deriva diretamente desses trabalhos. A síntese subtrativa (CMYK — Ciano, Magenta, Amarelo, Preto), por sua vez, foi formalizada para a impressão industrial no início do século XX.
A necessidade de padronizar as cores gerou vários sistemas importantes. Albert Munsell, pintor e professor americano, criou em 1905 o primeiro espaço cromático sistemático, organizando as cores segundo três eixos: matiz, valor e croma. Em 1931, a Comissão Internacional de Iluminação (CIE) publicou o espaço CIE XYZ, primeiro modelo matemático capaz de descrever todas as cores perceptíveis. A Pantone revolucionou a indústria gráfica em 1963 com seu Pantone Matching System (PMS), um mostruário que hoje conta com mais de 2.100 tons catalogados. Com o advento da web, o código hexadecimal (#RRGGBB) foi adotado a partir do HTML 2.0 em 1995. As 216 "web-safe colors" foram definidas para garantir uma representação idêntica nas telas de 8 bits da época. O formato HSL (Hue, Saturation, Lightness) foi introduzido no CSS3 em 2011 para oferecer aos designers um modelo mais intuitivo.
A psicologia das cores é um campo de pesquisa ativo desde os trabalhos pioneiros de Faber Birren nos anos 1940. Em "Color Psychology and Color Therapy" (1950), ele documentou a influência das cores nas emoções e no comportamento. Estudos de neuromarketing mostram que os visitantes de um site formam sua primeira impressão em menos de 50 milissegundos, e que a cor dominante influencia até 90% dessa avaliação inicial (estudo de Satyendra Singh, 2006, "Impact of Color on Marketing"). O azul inspira confiança — daí sua onipresença no Facebook, LinkedIn, PayPal e IBM. O vermelho cria urgência e estimula o apetite (Coca-Cola, McDonald's, Netflix). O verde evoca natureza e saúde (Spotify, WhatsApp, Starbucks). No entanto, essas associações variam consideravelmente entre culturas: na China, o vermelho simboliza a prosperidade; no Japão, o branco é a cor do luto; na Índia, o açafrão representa o sagrado.
Hoje, os geradores de cores aleatórias são ferramentas essenciais para designers e desenvolvedores. O padrão WCAG 2.1 (Web Content Accessibility Guidelines) exige uma relação de contraste mínima de 4,5:1 entre o texto e seu fundo para garantir a legibilidade. O movimento de arte generativa, popularizado por artistas como Casey Reas (cocriador do Processing em 2001) e Tyler Hobbs (criador do Fidenza, 2021), usa algoritmos aleatórios para produzir obras digitais onde a cor desempenha um papel central. Os sistemas de design modernos — Material Design do Google, Human Interface Guidelines da Apple — integram todos paletas rigorosamente calculadas com variáveis CSS para temas claro e escuro. O Pantone Color of the Year, concedido desde 2000, influencia a indústria global de design: em 2023, "Viva Magenta" gerou mais de 30 bilhões de impressões midiáticas nas duas semanas seguintes ao seu anúncio.