A medição do tempo é uma das mais antigas empreitadas intelectuais da humanidade. Desde 2100 a.C., os sumérios da Mesopotâmia utilizavam um calendário lunissolar de 12 meses de 29 ou 30 dias, com meses intercalares para se realinhar com as estações. O Egito Antigo, por sua vez, desenvolveu por volta de 3000 a.C. um calendário solar de 365 dias — 12 meses de 30 dias mais 5 dias epagômenos — calibrado pela cheia anual do Nilo e pelo nascimento helíaco de Sírio (Sótis). Os maias, por outro lado, elaboraram a Conta Longa, um sistema capaz de datar eventos ao longo de milhões de anos, incluindo o famoso ciclo de 5.125 anos que alimentou as profecias de "fim do mundo" em 2012. Essas três civilizações, sem nenhum contato entre si, sentiram cada uma a necessidade de estruturar o tempo em unidades regulares — prova de que a datação é uma necessidade humana fundamental.
Em 46 a.C., Júlio César encarregou o astrônomo Sosígenes de Alexandria de reformar o calendário romano, então caótico e manipulado pelos pontífices com fins políticos. O resultado — o calendário juliano — fixou o ano em uma média de 365,25 dias graças a um ano bissexto a cada quatro anos. Para compensar a defasagem acumulada, o ano 46 a.C. durou excepcionais 445 dias, o que lhe rendeu o apelido de "ano da confusão" (ultimus annus confusionis). Esse calendário foi adotado em todo o Império Romano e perdurou no Ocidente por mais de 1.600 anos. O Concílio de Niceia, em 325, vinculou a ele o cálculo da data da Páscoa — o primeiro domingo após a lua cheia depois do equinócio de primavera — tornando a precisão do calendário uma questão religiosa tanto quanto civil.
Mas o calendário juliano superestimava o ano em 11 minutos e 14 segundos. Em 1582, a defasagem chegava a 10 dias completos: o equinócio de primavera caía em 11 de março em vez de 21. O papa Gregório XIII promulgou a bula Inter gravissimas em 24 de fevereiro de 1582, instaurando o calendário gregoriano. Dez dias foram suprimidos de uma vez: 4 de outubro de 1582 foi seguido diretamente por 15 de outubro. A regra dos anos seculares foi refinada: apenas os divisíveis por 400 continuam sendo bissextos (2000 sim, 1900 não). Essa correção reduziu a duração média do ano para 365,2425 dias, ou seja, um erro residual de 26 segundos por ano — será preciso esperar até o ano 4909 para acumular um dia de erro. A adoção foi progressiva e às vezes tumultuada: França e Espanha fizeram a transição em 1582, a Grã-Bretanha esperou até 1752 (provocando "revoltas do calendário" com o grito de "Give us our eleven days!"), a Rússia só adotou o novo calendário em 1918 e a Grécia em 1923.
O cálculo algorítmico de datas tem uma história rica. Em 1583, o filólogo Joseph Justus Scaliger criou o Dia Juliano (JD), um contador contínuo de dias desde 1º de janeiro de 4713 a.C., ainda utilizado por astrônomos para evitar ambiguidades calendárias. Carl Friedrich Gauss publicou em 1800 um algoritmo para calcular a data da Páscoa que continua sendo a referência hoje. O matemático Christian Zeller apresentou em 1882 sua célebre congruência (congruência de Zeller) para determinar o dia da semana de qualquer data do calendário gregoriano com uma única fórmula aritmética. Na era da informática, a escolha de 1º de janeiro de 1970 como "época Unix" por Ken Thompson e Dennis Ritchie se tornou o ponto de referência temporal de praticamente todos os sistemas digitais. A norma ISO 8601, publicada em 1988 e revisada em 2004, padronizou o formato AAAA-MM-DD para eliminar ambiguidades entre convenções nacionais (MM/DD/AAAA americano vs. DD/MM/AAAA europeu).
A percepção humana das datas esconde vieses fascinantes. O "problema dos aniversários", formulado pelo matemático Richard von Mises em 1939, demonstra que em um grupo de apenas 23 pessoas, a probabilidade de duas delas compartilharem a mesma data de nascimento ultrapassa 50% — um resultado que contraria a intuição de quase todo mundo. Os psicólogos John Skowronski e Charles Thompson mostraram em 2004 que os humanos sofrem de um "efeito telescópio": percebemos eventos recentes como mais distantes e eventos passados como mais próximos do que realmente são. Além disso, os nascimentos não são uniformemente distribuídos ao longo do ano: nos Estados Unidos, 16 de setembro é o dia de nascimento mais frequente (pico de concepções durante as festas de fim de ano), enquanto 25 de dezembro e 1º de janeiro são os dias mais raros, segundo dados do National Center for Health Statistics cobrindo 20 anos de nascimentos.
Hoje, os geradores de datas aleatórias são ferramentas indispensáveis em diversos campos. No desenvolvimento de software, bibliotecas como Faker.js (criada por Marak Squires em 2014) e Factory Bot (Ruby) geram datas fictícias realistas para testes automatizados — verificar casos limites de anos bissextos, mudanças de século e fusos horários. Em auditoria financeira, as normas da AICPA (American Institute of Certified Public Accountants) recomendam a amostragem aleatória de datas de transação para detectar fraudes. Na educação, professores utilizam datas aleatórias para criar exercícios de exploração histórica: os alunos recebem uma data e devem pesquisar o que aconteceu naquele dia. Na escrita criativa e em RPGs, a data aleatória serve para ancorar um personagem ou uma narrativa em uma época verossímil. O sorteio de datas é até usado em certos concursos e loterias para determinar datas de eventos ou períodos de validade de prêmios.