Os dados poliédricos são inseparáveis da história dos jogos de RPG de mesa. Enquanto os dados cúbicos de seis faces existem desde a Antiguidade — os exemplares mais antigos datando da civilização do Vale do Indo por volta de 2600 a.C. — os dados de múltiplas faces têm uma história mais recente, mas igualmente fascinante.
Os sólidos platônicos, aqueles cinco poliedros regulares perfeitos (tetraedro, cubo, octaedro, dodecaedro e icosaedro), eram conhecidos pelos matemáticos gregos desde o século IV a.C. O próprio Platão os associou aos elementos fundamentais do universo em seu Timeu. No entanto, seu uso como dados de jogo permaneceu marginal por milênios.
Foi em 1974, com a publicação de Dungeons & Dragons por Gary Gygax e Dave Arneson, que os dados poliédricos entraram na cultura popular. O jogo original exigia um conjunto de dados especiais: D4, D6, D8, D12 e D20. O D10 foi adicionado pouco depois para permitir rolagens percentuais. Na época, esses dados eram tão raros que a TSR (a editora) incluía números para serem coloridos com giz de cera.
O sistema de jogo de D&D se baseia fundamentalmente no D20, daí seu nome "sistema d20". Cada ação — atacar um monstro, abrir uma fechadura, persuadir um rei — é resolvida rolando um D20 e adicionando modificadores. Um 20 natural é um "acerto crítico", um momento de glória que emociona cada jogador ao redor da mesa.
A introdução da vantagem e desvantagem no D&D 5ª Edição (2014) revolucionou as mecânicas. Em vez de empilhar bônus e penalidades numéricas, o jogador simplesmente rola dois D20s e fica com o maior (vantagem) ou menor (desvantagem). Essa elegante simplificação é considerada uma das maiores inovações nos RPGs modernos.
Hoje, os dados poliédricos se tornaram um verdadeiro fenômeno cultural. Fabricantes como Chessex, Q Workshop e Die Hard Dice produzem milhões de conjuntos em materiais que vão da resina colorida ao metal e pedras semipreciosas. O mercado global de acessórios de RPG ultrapassa um bilhão de dólares.