Os dados estão entre os mais antigos instrumentos de jogo de azar conhecidos da humanidade. Os primeiros objetos assimiláveis a dados eram tálus — astrágalos de animais — encontrados em sítios arqueológicos da Mesopotâmia datando de mais de 5.000 anos. Em Ur, no atual Iraque, dados cúbicos de argila foram descobertos em uma tumba real datada de cerca de 2600 a.C. No antigo Egito, dados de quatro faces em osso foram encontrados em tumbas da XVIII dinastia (por volta de 1550–1292 a.C.). O dado cúbico mais antigo conhecido foi desenterrado em Shahr-e Sukhteh, no Irã, e data de aproximadamente 2800–2500 a.C. Na civilização do vale do Indo, dados de terracota foram encontrados no sítio de Mohenjo-daro, demonstrando que os jogos de dados eram praticados independentemente em vários continentes.
Na Idade Média, os dados eram onipresentes na Europa, a ponto de provocar a preocupação das autoridades religiosas e civis. O rei Luís IX (São Luís) proibiu os jogos de dados na França por uma ordenança de 1254, considerando-os fonte de blasfêmia e ruína. Na Inglaterra, Ricardo Coração de Leão impôs em 1190, durante a terceira cruzada, uma lei proibindo os soldados abaixo do posto de cavaleiro de jogar dados para evitar a deserção e as brigas. Apesar dessas proibições, os jogos de dados floresciam nas tavernas. O Hazard, antepassado do craps moderno, apareceu na Inglaterra no século XIII — seu nome deriva do árabe "az-zahr" (o dado), prova das trocas culturais entre Oriente e Ocidente. Durante o Renascimento, os fabricantes de dados formavam guildas especializadas em Paris.
Nos séculos XVII e XVIII, os dados desempenharam um papel crucial no nascimento do cálculo das probabilidades. Em 1654, o cavaleiro de Méré apresentou ao matemático Blaise Pascal o famoso "problema das apostas" sobre a divisão justa dos prêmios em um jogo de dados interrompido. A correspondência que se seguiu entre Pascal e Pierre de Fermat lançou os fundamentos da teoria das probabilidades. Antes deles, o médico e matemático italiano Girolamo Cardano havia redigido por volta de 1564 o "Liber de Ludo Aleae" (O Livro sobre os Jogos de Azar), o primeiro tratado sistemático sobre probabilidades aplicadas aos dados, embora só fosse publicado em 1663. No século XIX, a emigração francesa para Nova Orleans transformou o Hazard em "craps", que se tornou o icônico jogo de dados dos cassinos americanos.
Do ponto de vista matemático, o dado cúbico padrão (D6) oferece uma simetria perfeita: cada face tem exatamente 1/6 de probabilidade de aparecer. A convenção pela qual as faces opostas de um dado sempre totalizam 7 (1–6, 2–5, 3–4) remonta à Antiguidade e se padronizou na Europa a partir do século XIV. Os dados poliédricos — D4 (tetraedro), D8 (octaedro), D10 (pentaquis dodecaedro), D12 (dodecaedro) e D20 (icosaedro) — correspondem aos sólidos de Platão descritos no "Timeu" por volta de 360 a.C. Em 2022, um estudo publicado por pesquisadores da Universidade da Califórnia em Davis analisou 110 dados romanos antigos e descobriu que sua forma se padronizou progressivamente ao longo dos séculos, passando de formas irregulares a cubos quase perfeitos.
A psicologia dos jogadores de dados é fascinante. O fenômeno da "ilusão de controle", identificado pela psicóloga Ellen Langer em 1975 em Harvard, mostra que os lançadores de dados acreditam inconscientemente poder influenciar o resultado por meio de seu gesto. Os jogadores de craps no cassino lançam com mais força quando querem um número alto e mais suavemente para um número baixo. A trapaça com dados tem uma longa história: dados viciados (pesados ou deformados) foram encontrados em escavações arqueológicas romanas e vikings. Em Pompeia, dados trucados de osso do século I foram descobertos em uma taverna. Hoje, os cassinos de Las Vegas utilizam dados "de precisão" fabricados com uma tolerância de 1/10.000 de polegada, transparentes para que nenhum peso possa ser dissimulado.
O uso contemporâneo dos dados foi revolucionado pelo RPG. Em 1974, Gary Gygax e Dave Arneson publicaram Dungeons & Dragons, popularizando o uso de dados poliédricos (D4, D8, D10, D12, D20) para resolver as ações dos personagens. O D20 se tornou tão icônico que simboliza toda a cultura do RPG. O mercado mundial de dados é estimado em vários bilhões de dólares, alimentado pelo renascimento dos jogos de tabuleiro e de RPG. Os dados virtuais, surgidos com a era digital, utilizam geradores de números pseudoaleatórios (PRNG) que oferecem uma equidade matemática superior à dos dados físicos — um algoritmo bem implementado produz uma distribuição uniforme de 16,667% por face, sem as microimperfeições de um dado real. Plataformas como Roll20 processam centenas de milhões de lançamentos de dados virtuais por ano para sessões de RPG online.