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Leitura de Taro

Leitura de tarô grátis online com os 22 Arcanos Maiores do Tarô de Marselha. Tire 1 ou 3 cartas e descubra seu significado.. Jogo online gratuito, sem cadastro ou download. Jogue agora no TirageAuSort.io!

O tarô nasceu no norte da Itália no início do século XV, nas cortes principescas de Milão, Ferrara e Bolonha. Os primeiros baralhos conhecidos, chamados "tarocchi" ou "trionfi", eram jogos de cartas aristocráticos encomendados pelas famílias Visconti e Sforza. O baralho mais antigo preservado, o Tarô Visconti-Sforza (por volta de 1440-1450), pintado por Bonifacio Bembo, está hoje dividido entre a Pierpont Morgan Library de Nova York, a Accademia Carrara de Bérgamo e a coleção Colleoni. Essas 78 cartas — 22 "triunfos" e 56 cartas de naipe — serviam para jogar tarocchini, um jogo de vazas semelhante ao bridge, praticado em Bolonha até o século XIX.

O uso divinatório do tarô só apareceu no século XVIII, trezentos anos após sua invenção lúdica. Em 1770, Jean-Baptiste Alliette, um antigo cabeleireiro parisiense que se reinventou sob o pseudônimo de Etteilla (seu nome ao contrário), publicou "Etteilla, ou maneira de se divertir com um baralho de cartas", o primeiro tratado de cartomancia com tarô. Ele inventou a tiragem em cruz, associou cada carta a um significado divinatório preciso e criou em 1788 seu próprio baralho, o "Grande Etteilla". Em 1781, o erudito maçom Antoine Court de Gébelin afirmou em "Le Monde primitif" que o tarô era um vestígio do Livro de Thot egípcio — uma teoria sem fundamento histórico, mas que ancorou permanentemente o tarô no imaginário esotérico.

O nome "Tarô de Marselha" é na verdade recente: foi o cartista Paul Marteau, diretor da casa Grimaud, que fixou essa denominação em 1930 ao padronizar o baralho em sua obra "Le Tarot de Marseille". As cartas não são originárias de Marselha — a cidade era simplesmente um grande centro de produção de cartas de jogar nos séculos XVII e XVIII, com as oficinas de Nicolas Conver (1760), cujo baralho permanece a referência histórica. Outros centros de produção importantes existiam em Lyon (Jean Dodal, 1701), Rouen e Paris. A padronização do "tipo Marselha" permitiu fixar a iconografia que conhecemos hoje.

Os ocultistas do século XIX transformaram profundamente a leitura do tarô. Éliphas Lévi (Alphonse-Louis Constant), em "Dogme et rituel de la haute magie" (1856), estabeleceu correspondências entre os 22 Arcanos Maiores e as 22 letras do alfabeto hebraico, integrando o tarô à tradição cabalística. Em 1909, o ocultista britânico Arthur Edward Waite encomendou à pintora Pamela Colman Smith um novo baralho, o Rider-Waite, que pela primeira vez ilustrou os 56 Arcanos Menores com cenas figurativas. Publicado pela Rider & Company em Londres, esse baralho se tornaria o tarô mais vendido do mundo, com mais de 100 milhões de exemplares. Aleister Crowley criou em 1943 o Tarô de Thoth, pintado por Lady Frieda Harris durante cinco anos, integrando astrologia, Cabala e alquimia.

O psiquiatra Carl Gustav Jung se interessou pelo tarô em seus trabalhos sobre os arquétipos e o inconsciente coletivo. Para Jung, as figuras do tarô — o Mago (persona), a Imperatriz (anima), o Eremita (o Sábio interior), o Arcano sem Nome (transformação) — representam arquétipos universais presentes em todas as culturas. Em seus seminários de 1933-1934 sobre a "Visão" de Christiana Morgan, Jung analisou diretamente as imagens do tarô como ferramentas de projeção psicológica. O psicólogo americano Timothy Leary retomou essa ideia em 1969 em "The Game of Life", associando os 22 Arcanos aos estágios da evolução da consciência. Hoje, a "taroterapia" é praticada por alguns psicólogos como suporte de introspecção, especialmente na Itália e na América Latina.

O século XXI conhece um renascimento espetacular do tarô. O mercado mundial de cartas divinatórias atingiu 793 milhões de dólares em 2024, impulsionado pelas redes sociais: a hashtag #tarot acumula mais de 40 bilhões de visualizações no TikTok. A artista Kiku Glover criou em 2018 o "Modern Witch Tarot", que reimagina o Rider-Waite com personagens contemporâneos e diversificados — vendeu mais de 500.000 exemplares em dois anos. O cineasta Alejandro Jodorowsky, coautor com Marianne Costa de "O Caminho do Tarô" (2004), popularizou uma abordagem psicossimbólica do Tarô de Marselha que influenciou toda uma geração de praticantes. Na França, a loja "Tarot de Marseille Heritage" de Philippe Camoin (descendente de Nicolas Conver) e Jodorowsky oferece um baralho restaurado a partir de documentos históricos, considerado a versão mais fiel aos originais do século XVIII.